CONCURSO EUROSCOLA 

2020/2021

Num ano difícil para todos os nossos alunos, mais uma vez mostraram-nos a sua força, valor e resiliência, envolvendo-se de alma e coração em todos os desafios escolares. As turmas do 11.º ano do Colégio Casa Mãe, foram desafiadas, na disciplina de Filosofia, a participarem no Concurso Euroscola ano letivo 2020/2021, subordinado ao tema-problema "Cidadania e participação jovem, qual o papel das novas tecnologias?". 

O desafio começou nas aulas de Filosofia com a atividade  “Battle Filosófico”:

·  num primeiro momento (em cada uma das turmas), todos os alunos prepararam e fizeram uma exposição oral de um minuto, sobre o tema em análise;

·  num segundo momento (em cada uma das turmas), decorreu o debate-turma e a seleção de dois alunos, através do voto anónimo – que se evidenciaram quanto aos argumentos utilizados, postura de debate e competências argumentativas;  

·  num terceiro momento, decorreu a “batalha de argumentos” entre as turmas, mais especificamente, entre os quatro alunos selecionados de cada turma e, posteriormente, procedeu-se à votação anónima dos espectadores, para a seleção dos dois representantes do Concurso Euroscola

Foi assim que o aluno José Carlos Sousa, do 11.º A, e a aluna Maria Leonor Viva, do 11.ºB, se juntaram num árduo trabalho de cooperação neste Projeto. Alunos de turmas diferentes, com horários diferentes, uniram-se com um único propósito: dar o seu melhor! Trabalharam verdadeiramente em equipa, conciliando as suas tarefas, os seus horários e responsabilidades, com este projeto que assumiram. O Projeto teve a Coordenação e orientação da Professora de Filosofia, que acompanhou de perto a construção do trabalho escrito e a elaboração da defesa com a apresentação.  Os nossos alunos representaram o Colégio Casa Mãe na Sessão Distrital do Concurso Euroscola, promovido pelo IPDJ, obtendo uma excelente classificação e sendo valorizados pela sua criatividade e sentido crítico. 

Podem ver o texto aqui:👇

Cidadania e participação jovem, qual o papel das novas tecnologias? – Duas faces da mesma moeda

Podemos, numa primeira instância, compreender que a tecnologia surge para tentar responder às necessidades dos Homens, por exemplo para facilitar a comunicação numa perspetiva global. A tecnologia surge com este caráter de utilidade, mas depressa se expande para outras dimensões sociais, estéticas, ideológicas, entre outras, em que, por exemplo, um telemóvel deixou de ser um simples objeto de comunicação, para passar a estar aliado a aspetos estéticos e não só funcionais.  O certo é que a tecnologia apareceu tão depressa quanto ao BOOM Tecnológico que se seguiu. Vivemos, atualmente, numa era onde a tecnologia faz parte do nosso quotidiano, das nossas necessidades, do nosso meio pessoal, profissional e social. Posto isto, faz todo o sentido questionarmos qual o seu papel numa das suas dimensões, na cidadania e participação jovem. Neste trabalho, vamos tentar mostrar a nossa perspetiva, fazendo uma analogia metafórica com uma moeda de duas faces: se por um lado, podemos perceber a tecnologia associada a aspetos positivos, aliada à informação e participação ativa democrática consciente; por outro lado, podemos encontrar um lado obscuro, associado a aspetos negativos, onde as tecnologias se apoderam das mentes críticas, ficando o Homem preso a ideias falsas, onde é manipulado à semelhança de uma marioneta.

Não queremos, também, deixar de referir, que apesar de ter dois lados, existe diferenças qualitativas entre si. Assim, consideramos que os aspetos positivos conseguem, atualmente, prevalecer relativamente aos aspetos negativos, sendo a nossa missão não deixar que este panorama se inverta, para não corrermos o risco de ao invés de sermos cidadãos críticos, responsáveis e informados, nos deixarmos levar pelo caminho mais fácil e contrário ao conhecimento. Neste sentido, vamos começar por defender que o papel que a tecnologia ocupa na sociedade se reflete numa diversidade de conceitos antagónicos, estabelecendo metaforicamente uma analogia entre a moeda, que corresponderá à tecnologia e que se complementa pelos seus dois lados opostos, antagónicos entre si: vantagens/desvantagens, informação/desinformação, tolerância/intolerância, solidariedade/indiferença, companhia/solidão.

Tendo a tecnologia mão humana e sendo este um ser por definição imperfeito, nunca poderia ter criado algo perfeito, de forma que devemos entender a tecnologia considerando as suas vantagens e desvantagens. Por sua vez, sendo os jovens o público mais exposto às novas tecnologias, são por consequência os mais afetados por elas, na medida em que cresceram rodeados pela tecnologia, redes sociais, internet, computadores e telemóveis. No entanto, até que ponto é que as tecnologias estão a afetar os jovens? Estão a promover a cidadania e a participação dos jovens na sociedade atual? Ou por outro lado, estão a afastá-los, atacando o sentido crítico, tornando os jovens prisioneiros de um mundo virtual, onde dificilmente conseguem distinguir a realidade da ilusão? Quais são as consequências e repercussões do uso de gadgets tecnológicos nas gerações futuras?    

Podemos apontar as fake news como um dos maiores problemas que a tecnologia enfrenta na atualidade. As fake news impulsionam a proliferação de notícias falsas, ganhando cada vez mais adeptos de pessoas desinformadas, passivas e acríticas. O questionamento dá trabalho e é mais fácil acreditar do que procurar confirmar as informações que nos chegam. Neste sentido, os jovens, que ainda estão a formar as suas opiniões, correm um grande risco de as formarem a partir de bases falsas promovidas pelas fake news. E quais são as consequências, a longo prazo, destas opiniões não fundamentadas e acríticas? Pensamos, que estas promoverão uma geração de cidadãos incultos e desinformados, que praticarão, consequentemente, escolhas insensatas, não contribuindo para a evolução de uma sociedade democrática, mas marginal, longe de princípios éticos e morais fundamentais. Assim, defendemos que é urgente que o jovem esteja bem informado, para formar opiniões fundamentadas sobre diferentes temas, crucial para uma participação no domínio da cidadania responsável.  Cremos que temos a força e os recursos para contornar os efeitos negativos de um mau uso das tecnologias, que passa por estratégias de mostrar às pessoas a existência real e perigosa das fake news. Neste sentido, podemos apontar já um importante trabalho que começa a ser feito neste domínio, como por exemplo, o Polígrafo SIC, alertas por parte da comunidade escolar e social, sites fidedignos, onde podemos confirmar informações, entre outros. No caso do Polígrafo SIC, existe uma preocupação não só de desmentir diversas informações virais que circulam na web, mas também a explicação da verdade por detrás da mentira, verificando-se uma excelente forma de inferir a veracidade das informações e o alerta para a população em geral sobre a quantidade de desinformação que circula diariamente na distância de um simples clique.

Segundo o ativista político Richard Seymour, as redes sociais são “um laboratório virtual” e uma “máquina viciante”, onde são usados métodos de manipulação. Compara este sistema com o método behaviorista (comportamento) originalmente desenvolvido pelo psicólogo Burrhus Frederic Skinner, que defendeu que a aprendizagem é feita com base num sistema de recompensas e punições (se bem que o objetivo deste psicólogo não era de manipular, mas sim de compreender o comportamento humano no contexto da aprendizagem). Com efeito, podemos verificar que as grandes empresas de tecnologia, implementaram uma espécie de variante desta técnica, usando um sistema de likes e dislikes, permitindo quantificar a aceitação entre pares, sentimento de aceitação este que os jovens desesperadamente procuram. Podemos, ainda, constatar que a quantidade de likes que obtemos nas redes sociais depende bastante do tempo que passamos nelas e da nossa interação com outros usuários, assim como a participação em debates sobre tópicos populares. As redes sociais têm o poder de nos reduzir a pessoas viciadas, desesperadas por uma injeção de aprovação, que nos dê sentido à vida e nos distraia da dolorosa realidade. Outra consequência que podemos apontar ao uso recorrente das tecnologias, é o fascínio pelas notícias negativas promovidas nas redes sociais. Isto, provavelmente, acontece, uma vez que o ódio suscita a curiosidade e a indignação nas pessoas, o que as leva a partilhar estas informações céticas com aqueles que possuem os mesmos ideais. Assim, as redes sociais são responsáveis pela exposição dos jovens a uma quantidade avassaladora de conteúdo negativo, o que promove a adoção de perspetivas pessimistas acerca do mundo, sendo estes mais suscetíveis a adotar ideologias extremistas e radicais.  

Para além disso, a recorrente falta de regulação nas redes socias é um problema urgente que, também, deve ser tido em conta. Com efeito, são raros os casos em que alguém que expresse opiniões discriminatórias na internet ou faça comentários pejorativos em relação a um indivíduo seja julgado pelo sistema judicial, uma vez que muitas vezes é difícil identificar a identidade da pessoa em questão. Isto faz da internet um local onde qualquer indivíduo pode dizer o que bem lhe apetece, sem que haja uma repercussão significativa das suas ações no “mundo real”. Assim, neste “espaço virtual” encontramos grupos de pessoas com opiniões extremistas e pouco saudáveis. Veja-se o exemplo do “Massacre de Columbine”, que foi levado a cabo por dois jovens americanos. Estes jovens entraram na Escola Secundária de Columbine com armas de fogo e bombas caseiras que conseguiram criar, consultando sites e pedindo ajuda a pessoas em fóruns online. Este atentado originou uma onda de massacres semelhantes em várias escolas dos EUA, sendo que a grande maioria deles foram cometidos por menores de idade.  

No entanto, também é importante analisar a partir de outras perspetivas e saber olhar para o outro lado das tecnologias, a partir de uma perspetiva positiva e beneficiadora. De facto, as tecnologias, para além de serem um palco de imaginação e criatividade, também têm o poder de fomentar o pensamento crítico, informado e ponderado, incentivando, assim, uma participação ativa e responsável dos jovens na sociedade. Quando a informação verdadeira nos chega, as nossas opiniões começam a formar-se, tendo por base não uma manipulação (retórica negra), mas uma persuasão (retórica branca). Como tal, por um lado, estas proporcionam o início de movimentos ativistas, sendo a principal propulsora da proliferação de ideias e do desencadeamento de manifestações revolucionadoras, de forma a melhorar a comunidade global em que habitamos. Greta Thunberg é um excelente exemplo disto, uma jovem que, devido às tecnologias, conseguiu espalhar a sua palavra e tentou mudar o Mundo. Devido aos seus protestos terem sido virais na internet, esta jovem conseguiu fazer-se ouvir e obter a aderência de inúmeros jovens dos quatro cantos do mundo, conseguiu expressar as suas ideias em várias conferências, como o COP24 das Nações Unidas na Polónia e o Fórum Económico Mundial, em Davos. A proliferação da palavra desta jovem ativista levou a que conseguisse persuadir líderes mundiais a alterar regulamentos do seu próprio País, de modo a que contribuíssem para a causa que defendia: as alterações climáticas como a maior crise da humanidade. Assim, esta jovem conseguiu efetivamente alertar as pessoas, mudar o rumo das coisas, revelando-se como uma cidadã pró-ativa, não só para o seu País, mas também para o Mundo, e tudo graças à tecnologia. As tecnologias têm, também, esta força de nos impulsionar como cidadãos do Mundo.

Não podemos, também, deixar de referir que este concurso, Euroscolas, que é uma prova irrefutável do papel que as novas tecnologias têm na promoção da participação dos jovens nos problemas do séc. XXI. Afinal, se assim não fosse o concurso não teria a dimensão que tem, nem poderia contar com a participação de tantos jovens estudantes, abrindo um caminho para que se tornem cidadãos intervenientes nas políticas do nosso País. E se dúvidas houvesse, estas dissipam-se quando pensamos no contexto em que vivemos, em que nem a Pandemia nos conseguiu afastar desta partilha de opiniões, materializado por estes trabalhos. A Pandemia pode ter-se apoderado da nossa liberdade física, mas não da nossa liberdade intelectual.

Reforçamos, também, que a internet fornece um “acesso relâmpago” a uma diversidade de informação, permitindo a conexão entre jovens que habitam os quatro cantos do mundo. Assim, revolucionou completamente a forma como nós chegamos às notícias e formamos as nossas perspetivas em relação ao Mundo. Atualmente, os jovens conseguem facilmente estar a par da situação política e social de vários Países e das diferentes realidades que as pessoas vivem em diversos locais do Mundo. Deste modo, os jovens são expostos a diferentes pontos de vista relativos a diferentes assuntos e a partir deles conseguem formar as suas próprias opiniões de uma forma adequada, o que potencia o diálogo critico, responsável e numa perspetiva intercultural. Muitos políticos aperceberam-se da ascensão da internet e viram-na como uma forma de atrair um número crescente de eleitores jovens e de estabelecer um contacto mais direto e genuíno com os seus apoiantes. Foi devido a este facto que redes sociais como o Twitter se afirmaram como um novo local de debate político, em que os jovens conseguem ver o que é defendido pelos diferentes candidatos e dialogar com outros internautas acerca do assunto. Este diálogo fomenta a partilha de informação entre pessoas com diferentes ideais e contribui para uma maior união entre elas. Deste modo, além das redes sociais beneficiarem os novos eleitores, estas também beneficiam os jovens que ainda são menores de idade e cuja voz é muitas vezes ignorada.

Posto isto, e observando mais atentamente as “duas faces da moeda”, é, para nós, claro e evidente o papel essencial que as tecnologias ocupam na partilha de informação e construção de jovens ativos e participativos, numa perspetiva de cidadania responsável, fornecendo aos jovens todas as ferramentas que necessitam para serem uma geração consciente, informada e ativa na/com e para a sociedade. Sabemos que todas as revoluções trazem desafios e a revolução tecnológica não é exceção, mas só temos de aprender a lidar com estes, estando alertados para o perigo, afastarmo-nos deste e usufruirmos das suas inúmeras vantagens.

Terminamos a nossa exposição, referindo que ao longo da história da humanidade, a opinião dos jovens foi sempre ignorada e o seu papel reduzia-se à preparação para a vida adulta. No entanto, esta revolução tecnológica, mudou o estereótipo da população jovem, dando-lhes a voz e o poder para que estes possam efetivamente participar num Mundo que também é o seu!

 

FIM

 

Trabalho realizado por: José Carlos Malheiro de Sousa (11.º ano, turma A) e Maria Leonor Francisco Viva (11.ºano, turma B)

Professora Responsável: Mónica Grifo

Colégio Casa Mãe, Baltar - Paredes




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